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ARTE É VIDA

ARTE É VIDA
"Que haja ternura no lirismo da poesia da vida. Que haja coragem em nossos passos para seguirmos em meio à aridez dos sonhos desfeitos. Que haja força para reconstruirmos os alicerces dos sonhos eternizados na verdade de nosso coração. Que nesta senda nos seja permitido estar em aliança com nossos Irmãos de Luz e que sejamos a personificação do Amor."

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Aqui em 'Arte é Vida', você é o principal personagem deste roteiro de músicas, de paz e amor. Obrigada pela sua presença, é valiosa para mim, se quiser, deixe sua mensagem em meu livro de visitas, abraços, Sandra

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Sandra Waihrich Tatit

Sandra Waihrich Tatit
"Que haja ternura no lirismo da poesia da vida. Que haja coragem em nossos passos para seguirmos em meio à aridez dos sonhos desfeitos. Que haja força para reconstruirmos os alicerces dos sonhos eternizados na verdade de nosso coração. Que nesta senda nos seja permitido estar em aliança com nossos Irmãos de Luz e que sejamos a personificação do Amor."

BIOGRAFIA I

Sandra Waihrich Tatit
Aniversário: 11 de Fevereiro
Signo astrológico: Aquário
Atividades: Direito , Literatura , Música e Educação
Profissão: Advogada
Local: Júlio de Castilhos : Rio Grande do Sul : Brasil
Clip de áudio
Quem sou eu
NASCI EM JÚLIO DE CASTILHOS, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL.
MÃE DE TRÊS FILHOS, RUBENS, RUSSAIKA E ANGELA. FILHA DE RUBENS CULAU TATIT E CLÉLIA WAIHRICH TATIT.
SOU ADVOGADA, CURSEI DIREITO NA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA, RIO GRANDE DO SUL, BRASIL.
CULTIVO A ARTE COMO UMA LIBERTAÇÃO, PIANO, VIOLÃO, CANTO E LITERATURA.
INTEGREI O CORAL DA UNIVERSIDADE.
LIVRO DE ARTE PUBLICADO, "UMA NOVA DIMENSÃO DA ARTE NA EDUCAÇÃO".
CURSEI PÓS GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO LATU SENSU.
VEJO A ARTE COMO UMA LIBERTAÇÃO DO SER HUMANO, UMA TERAPIA QUE AMENIZA OS SOFRIMENTOS DO COTIDIANO.
A MÚSICA É A HARMONIA DO HOMEM, A LINGUAGEM DO UNIVERSO.
INTERPRETO PIANO E VIOLÃO, APRECIO CANTAR.
POSSUO COMPOSIÇÕES MUSICAIS, PARA PIANO E VIOLÃO.
NA EUROPA, CONHECI UM POUCO DA HISTÓRIA DA ARTE, ESPECIALMENTE NA ITÁLIA.
DIZ GANDHI, "PRECISAMOS SER AS MUDANÇAS QUE QUEREMOS VER NO MUNDO".
SOU DO SIGNO DE AQUÁRIO, ACREDITO NA ASTROLOGIA E SUA INFLUÊNCIA EM NOSSA VIDA E PERSONALIDADE.
PRETENDO ESCREVER AQUI NO BLOG, SOBRE DIVERSOS TEMAS E POESIAS, TAMBÉM PUBLICAR TEXTOS RELEVANTES DE OUTROS AUTORES.
ESCREVO POEMAS, É UMA FORMA DE DAR MAIS LEVEZA À VIDA. PREGO A ARTE COMO UMA UMA VIDA DENTRO DA PRÓPRIA VIDA QUE SE ETERNIZA PELO ESPÍRITO, UMA LINGUAGEM UNIVERSAL.
UM TRIBUTO A CAMÕES NESTA FRASE ,"CESSA TUDO QUANTO A MUSA CANTA QUANDO UM PODER MAIS ALTO SE AGIGANTA."
Interesses:
ARTE E MÚSICA
DIREITO E EDUCAÇÃO .
Filme favorito
"FREUD ALÉM DA ALMA".
Música favorita
A CLÁSSICA " SONATA AO LUAR " DE BEETHOVEN.
Livros favoritos
" O PROFETA " DE GIBRAN KHALIL GIBRAN . GOSTO MUITO DE LITERATURA ORIENTAL. "OS HETERÔNIMOS" DE FERNANDO PESSOA (Poeta Português). OS POEMAS DE NOSSO POETA OLAVO BILAC
ME FASCINAM
COMO "A VIA LÁCTEA E BENEDITICE". CECÍLIA MEIRELES E LYA LUFT
MINHAS GRANDES MUSAS DA POESIA . "O ATENEU" DE RAUL POMPÉIA . A "DIVINA COMÉDIA" DE DANTE ALIGHIERI
"DON QUIXOTE DE LA MANCHA"
DE MIGUEL DE CERVANTES. QUERO RENDER UM TRIBUTO À MAGISTRAL LITERATURA DE CAMÕES EM " OS LUSÍADAS . "

SEJAM BEM VINDOS AMIGOS!


Arte é Vida e Educação

"Que haja ternura no lirismo da poesia da vida. Que haja coragem em nossos passos para seguirmos em

"Que haja ternura no lirismo da poesia da vida. Que haja coragem em nossos passos para seguirmos em

BIOGRAFIA II

Sobre Mim
Advogada
Universidade Federal de
Santa Maria

Brazil

Artes
Música-Piano-Violão
Literatura

ARTE É VIDA
A Arte é Linguagem Universal

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Advogada
Produtora Rural
Agropecuária - Agronegócios
Arte-Música - Piano Violão e Literatura
Aprecio as pessoas transparentes e verdadeiras. As relações humanas me cativam, direito, justiça e paz
são minhas trajetórias de vida, ajudar o ser humano o máximo que me seja permitido, sentindo a beleza de minha vocação e o apelo do mundo atual à disponibilidade de minhas energias. Meu primeiro livro publicado 'Uma Nova Dimensão da Arte na Educação'. Na Europa conheci a História da Arte. Na Itália, França. Espanha, Alemanha, Holanda, Bélgica, Áustria e Suiça. Cursos e estudos na área artística e 'História da Arte'.
Sou membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Estado do Rio Grande do Sul.
Cursei a Escola Superior do Ministério Público e Pós Graduação em Educação Latu Sensu, minha tese foi sobre a Arte e a sua Dimensão no Ensino. Possuo composições musicais de minha autoria, música e letra.
Também alguns vídeos, os quais se encontram no youtube. Mensagens que circulam na internet, formatadas e sonorizadas. Músicas gravadas em seleção e editadas, para sites ou audiência .
Sou funcionária pública do Estado do Rio Grande do Sul.
Brasil.
Creio na Educação como a forma de melhorar o mundo e o ser humano, a Arte na Educação, como uma libertação e incentivo à aprendizagem mais eficiente. Na Arte Terapia, como forma de cura e amenização de conflitos existenciais. Na música, como a Linguagem Universal. Arte Pura como uma vida dentro da própria vida, se eternizando pelo Espírito.
Os artistas são as antenas da raça humana, eles auscultam e pressentem o porvir. Arte é Vida.
Sou mãe de três filhos, Rubens, Russaika e Angela.

'Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.Tem o peso de uma lembrança.Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros'.
Clarice Lispector

UMA INTENSA LUZ ATRAVESSA O SILÊNCIO DA VOZ QUE CALA...

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ARTE É INSPIRAÇÃO E EMOÇÃO

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DIVINA MÚSICA

Divina Música!
Filha da Alma e do Amor.
Cálice da amargura
E do Amor.
Sonho do coração humano,
Fruto da tristeza.
Flor da alegria, fragrância
E desabrochar dos sentimentos.
Linguagem dos amantes,
Confidenciadora de segredos.
Mãe das lágrimas do amor oculto.
Inspiradora de poetas, de compositores
E dos grandes realizadores.
Unidade de pensamento dentro dos fragmentos
Das palavras.
Criadora do amor que se origina da beleza.
Vinho do coração
Que exulta num mundo de sonhos.
Encorajadora dos guerreiros,
Fortalecedora das almas.
Oceano de perdão e mar de ternura.
Ó música.
Em tuas profundezas
Depositamos nossos corações e almas.
Tu nos ensinaste a ver com os ouvidos
E a ouvir com os corações.

Gibran

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UMA INTENSA LUZ ATRAVESSA O SILÊNCIO DA VOZ QUE CALA

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A OBRA DE ARTE É O EFÊMERO QUE SE TORNA IMORTAL

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A música é a linguagem dos espíritos. Khalil Gibran

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Na dimensão daquilo que pensamos ou sentimos não há lugar ou tempo definidos ...

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Thursday, July 31, 2008

NOVO BANNER , AWARD E LINK , SLIDES E ARTE DE ELZA MOREIRA , DO SITE MOMENTOS DE TANGO , RIO DE JANEIRO , BRASIL

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ESTE MUNDO É SIMULTANEAMENTE PEQUENO E IMENSO , PEQUENO SE NA MEDIOCRIDADE NELE TE CONFINARES , IMENSO SE PELA ARTE DELE TE EVADIRES ...


PAZ NÃO É ESTAGNAÇÃO , É O EQUILÍBRIO DO MOVIMENTO ...

Wednesday, July 30, 2008

QUEM TEM MEDO DA SOLIDÃO ? Autor:Flávio Gikovate

Quem tem medo da solidão?
- Muitos casais só evitam a separação porque temem o isolamento de uma vida solitária. Nossa sociedade centrada no núcleo familiar, estimula a dependência entre as pessoas.
O que é preferível: ficar só ou mal acompanhado? A esta pergunta a grande maioria das pessoas responde de duas maneiras diferentes. Quando se trata de uma situação hipotética ou da vida dos outros, elas dizem que não há sentido algum em continuar com que não se ama ou com quem a gente não tem afinidade. Assim respondem também os mais jovens e inexperientes. No entanto, quando enfrentamos uma situação de fato, em que um homem e um mulher se vêem envolvidos numa união cheia de brigas e dissabores, a coisa é muito mais complicada. A maior parte dos casais prefere ir tocando o relacionamento aos trancos e barrancos em vez de fazer as malas e ir para qualquer outro lugar - a casa de um parente, de um amigo, um hotel etc. Essa é uma das situações em que é muito fácil falar, mas muito difícil de fazer.
Afinal, o que nos prende tanto ao casamento? Serão so filhos? O patrimônio? Os costumes e apegos que temos às coisas que nos cercam, especialmente a própria casa? Ou será o pavor de nos vermos isolados? Embora todos os fatores citados tenham certa importância, acredito que a principal razão pela qual as pessoas conservam vínculos absolutamente insatisfatórios deriva do fato de que não podem sequer se imaginar sozinhas por alguns dias. É curioso, pois isso acontece também com aquelas criaturas que, no passado, viveram longo tempo sem companhia. É como se a gente desaprendesse totalmente que nossa condição é, sob certos aspectos, até bastante agradável. É como se a gente regredisse e conseguisse se considerar integrada apenas dentro de um grupo. Todos nós cescemos participando de um núcleo familiar - ou algum substituto dele - no qual nos sentíamos mais protegidos, mais confortáveis. E a sensação persistia mesmo se o ambiente fosse tenso, cheio de brigas e atritos. Afinal de contas éramos dependentes e não tínhamos a opção de ficar sozinhos. Esta hipótese estava relacionada com o total desamparo e com a falta de recursos para a sobrevivência. Parece que, depois de adultos, continuamos a associar à vida em família toda a sensação de proteção e segurança: e, à vida solitária, todo o medo e todo o abandono. Isso sem contar os preconceitos, pois crescemos ouvindo frases do tipo: "Coitada de fulana! Não se casou e vive sozinha. Como deve ser triste a sua vida!", "pobre daquele menino órfão que não tem os pais para lhe dar carinho e atenção". Tais frases, repetidas durante os anos de formação, ficam impressas a ferro e fogo dentro de nós.
Podemos ficar sozinhos por anos a fio, especialmente durante a mocidade. Isso acontece quando vamos estudar ou trabalhar noutra cidade, por força das circunstâncias ou mesmo por livre opção. Depois de certo período mais difícil de adaptação, acabamos gostando muito fa esperiência. Mas vêm de novo os preconceitos que nos "ensinam" não ser "normal" gostar de ficar só. Logicamente, esse tipo de contradição nem sempre ocorre. No nosso país, a grande maioria dos jovens só sai de casa para se casar. Quando estuda fora, mora em repúblicas, que são habitações coletivas, onde mais uma vez se valoriza a vida em grupo.
Embora nem todos tenham consciência disso, a sociedade favorece a dependência entre as pessoas. Acontece que, em determinados momentos, deveríamos estar capacitados para atos de plena autonomia. E não estamos. É o caso da situação conjugal cheia de brigas e desacertos. Racionalmente, teríamos de pôr um fim nisso o mais depressa possível. Precisaríamos ter condições para passar um certo tempo sozinho, independentes, nos bastando, capazes de diálogos interiores, meditação e reflexão até para entender em profundidade porque as coisas se encaminharam dessa forma. Infelizmente, a simples idéia de nos encontrarmos isolados num quarto de hotel já nos provoca pânico. E ficamos presos ao emaranhado complexo em que se transforma a vida conjugal cheia de atritos. Na maioria dos casos, não temos forças sequer para uma separação temporária. Penso que esse tipo de medo é muito perigoso, pois não são raras as vezes em que uma "pausa conjugal" pode ser a última chance para a reconciliação. Quando estamos sozinhos e longe da situação de conflito, temos oportunidade para refletir melhor e fazer uma autocrítica mais correta. Aliás, deveríamos recorrer à solidão sempre que nos encontrássemos numa encruzilhada, seguindo o exemplo de Moisés, Jesus e tantos outros, que se isolaram para meditar, nas montanhas ou no deserto, ganhando novas forças antes de tomar decisões radicais e definitivas.
Livro relacionado ao assunto

Dr. Flávio Gikovate , médico psicoterapeuta e escritor

Tuesday, July 29, 2008

SERÁ QUE É PRECISO AMAR A SI MESMO ANTES DE AMAR AOS OUTROS ? Autor: Flávio Gikovate , psicoterapeuta

SERÁ QUE É PRECISO AMAR A SI MESMO ANTES DE AMAR AOS OUTROS?
Sempre me surpreendo ao ouvir as pessoas falarem, com convicção, frases conhecidas, tidas como verdades, sobre as quais pouco refletiram. Elas correspondem às crenças, pontos de vista que herdamos daqueles que nos antecederam. Temos o dever de repensar tudo, uma vez que novos conhecimentos podem criar maneiras mais sofisticadas de encarar os temas que tanto nos interessam.
Esta é uma destas frases: “se eu não conseguir me amar primeiro, não serei capaz de amar ninguém”. Isso é dito e pensado a propósito da possibilidade de estabelecermos um relacionamento íntimo, estável e de boa qualidade. Não se está falando em termos genéricos, de modo que ela não está diretamente ligada ao ditame bíblico de que devemos “amar ao próximo como a nós mesmos”.
O “próximo” do texto bíblico é qualquer pessoa com a qual estabelecemos algum tipo de relação e não aquele ser especial com quem queremos estabelecer um relacionamento íntimo, de preferência estável e definitivo. Além disso, penso que a idéia religiosa diz respeito ao tratamento e aos direitos, ou seja, de que devemos considerar os outros como portadores de direitos iguais àqueles que atribuímos a nós.
A forma como tenho pensado acerca do amor não nos permite falar em amor por si mesmo. Isso porque ele acontece sempre em condições interpessoais. O amor corresponde ao sentimento que temos por aquela pessoa cuja presença provoca em nós a adorável sensação de paz e aconchego. A primeira manifestação desse sentimento corresponde ao que acontece entre mãe e filho, talvez ainda durante a vida intra-uterina, mas, certamente, a partir do nascimento: a criança, desamparada e ameaçada por desconfortos de todo o tipo, se sente bem e aconchegada pela presença física da mãe e a ama; esta, por sua vez, sente enorme prazer em estar com seu bebê no colo e sente por ele enorme amor justamente porque ela também se sente aconchegada por ele.
O primeiro sentimento interpessoal é o de amor. É claro que a criança, frustrada pela ausência da mãe, também pode ficar revoltada e chorar muito por se sentir abandonada. Talvez o segundo sentimento seja mesmo de raiva, que também é interpessoal (depende de um agressor externo). À medida que os meses se passam e a criança vai se diferenciando, ela passa a pesquisar o mundo que a cerca, inclusive a si mesma. Ao tocar certas partes do seu corpo, experimenta uma sensação muito agradável de excitação. Trata-se de excitação sexual, esta sim pessoal e auto-erótica.
Quando se pensa no sexo e amor como parte do mesmo processo, o que não é o meu ponto de vista, pode-se pensar que exista algum tipo de afeição da criança (e depois do adulto) por si mesmo. Acontece que com a separação entre esses dois fenômenos (sendo fato que o amor acontece antes do sexo), podemos pensar no sexo como um fenômeno pessoal, mas não no amor como tal. Assim, existe auto-erotismo, mas não existe amor por si mesmo: o amor pede objeto e o primeiro objeto é nossa mãe.
Estas considerações são de natureza mais teórica. Vamos agora à prática, na qual constatamos que a grande maioria das pessoas não tem um bom juízo de si mesma. Isso significa que elas não têm boa auto-estima, o que costuma ser tratado como sinônimo de ausência de amor por si mesmas. Estima é uma palavra que pode estar associada a amor, mas também significa valor; penso mais neste segundo aspecto, de modo que baixa auto-estima significa que não estou satisfeito com o meu jeito de ser. Eu sou o juiz e também aquele que é avaliado, no caso, de forma negativa. Se isso, de fato, implicar em incapacidade para amar, podemos afirmar que o amor não existe!
O que acontece não é nada disso. Aquele que tem de si um juízo negativo costuma se interessar por alguém que seja o seu oposto. Isso sim é a regra do que acontece na realidade: nos encantamos pelos que são o oposto de nós, já que não gostamos nem um pouco do nosso jeito de ser. As pessoas que acompanham meu trabalho sabem que considero este tipo de aliança um tanto precária e, hoje em dia, com tendência a uma vida curta.
Podemos dizer que quem não tem boa auto-estima (expressão melhor do que “aquele que não se ama”) tende a amar seu oposto. A qualidade deste tipo de relacionamento é muito duvidosa, de modo que, nesse sentido, podemos dizer que aqueles que têm uma boa auto-estima (expressão que substitui, com vantagens, “aquele que se ama”) tendem a estabelecer relacionamentos amorosos muito melhores encaixados e bastante mais gratificantes.
Ao pensarmos por esta ótica e se considerarmos como amor apenas este segundo tipo de relacionamento, entre pessoas de temperamento e caráter afins, podemos dizer que ele depende vitalmente de uma boa auto-estima. Como ela é rara, também serão raros os relacionamentos amorosos. Acontece que não me parece razoável pensar assim, já que os relacionamentos entre opostos também implicam em aconchego e intimidade – apesar dos problemas, conflitos, ciúmes e brigas de todos os tipos. Assim, só poderíamos mesmo é afirmar que para sermos muito felizes no amor temos antes que nos entender conosco mesmos. Talvez seja essencial um avanço na capacidade de ficar bem consigo mesmo, de correção daqueles aspectos que não gostamos em nós e do atingimento de um estado de conciliação com nossa forma de ser para que possamos estar verdadeiramente prontos para um relacionamento amoroso no qual as delícias do aconchego possam nos satisfazer plenamente.
Livro relacionado ao assunto
Dr. Flávio Gikovate , médico psicoterapeuta e escritor

Monday, July 28, 2008

A VERDADE SOBRE OS TRAUMAS DE INFÂNCIA Flávio Gikovate

A verdade sobre os "traumas" de infância
- As carências da vida adulta se devem à razões bem mais complexas que a falta de amor dos pais.
Não é minha intenção subestimar a importância das vivências infantis dolorosas na formação de sintomas chamados de neuróticos na vida adulta. Não gostaria, porém, de continuar a superestimá-los, como têm feito algumas das mais importantes correntes da psicologia contemporânea. A importância da infância na formação de nossas estruturas psíquicas é óbvia. Além de ser dependente, de ter o cérebro pronto para operar e receber informações do meio que a cerca, a criança possui uma intuição sofisticada, fruto da evolução incompleta da sua razão lógica - a razão após estabelecer-se completamente, funciona como "camisa-de-força" para as operações psíquicas sensoriais.
O que me preocupa é a forma dedutiva como muitos raciocinam sobre o tema. Observam, por exemplo, um adulto incapaz de ficar só e que busca com urgência qualquer tipo de vínculo afetivo. Ficam sabendo que ele teve uma mãe que lhe deu pouco carinho, pois vinha de uma família em que não era usual a manifestação física do afeto. Correlacionam os dois fatos e deduzem que, "lógico", esse adulto carente de afeto é produto de uma criança que teve menos amor que precisava.
Pode ser que seja "lógico", mas nem tudo que é lógico é verdadeiro. O que define a veracidade de uma firmação é sua comprovação prática. Minha experiência clínica mostra que todos nós, adultos, somos carentes, inseguros e com grande dificuldade para estarmos só, mesmo quando tivemos uma mãe amorosa.
Alguns de nós crescemos carentes porque tivemos pouco amor na infância e ansiamos por preencher essa lacuna. Outros porque tivemos muito, acostumamo-nos a isso e não conseguimos viver com menos. As carências da vida adulta não dependem apenas de nossa mãe e das peculiaridades que marcaram a nossa infância. Atribuo essa sensação de incompletude a um acontecimento geral, próprio de toda a espécie humana: a dramática vivência do nascimento, quando nos desgrudamos da mãe e passamos a sentir toda a sorte de inseguranças, desconfortos e desamparo.
O nascer é um "trauma" infantil, que nos marca a todos. Com o passar dos anos, um outro ingrediente entra em cena: o modo como funciona nossa razão. Já pelos 2-3 anos de idade observamos grandes diferenças na reação de crianças expostas ao mesmo fato externo. Diante da morte de um animal de estimação, por exemplo, algumas sofrerão mais que outras. Algumas tolerarão melhor frustrações, contrariedades e dores de todo o tipo; outras reagirão com violência sempre que contrariadas. Algumas serão facilmente conduzidas pelos argumentos; outras serão guiadas mais pela vontade que pela razão. Não há como negar que algumas dessas diferenças dependem de variáveis inatas e não relacionadas com o ambiente ou às vivências que cada criatura tenha tido de enfrentar.
Não desprezo a possibilidade de certas experiências dolorosas terem forte influência sobre a formação da personalidade de algumas pessoas. Isso, em virtude de terem sido expostas a dores muito graves (estupro, pai que se matou, queimaduras sérias etc.) ou por terem um espírito muito delicado (filhos que se tornam tímidos ou gagos em razão da agressividade dos pais, rapazes que evoluem na direção homossexual por serem objeto de humilhação, pessoas que se tornam obsessivas porque não tiveram espaço para expressão de suas raivas).
O que não me parece correto é generalizarmos esse tipo de reflexão apenas porque nos parece "lógico". E, o que é mais grave, para explicar condições gerais dos setores humanos: inseguranças, carências afetivas e tantos outros conflitos que todos temos. Esse raciocínio equivocado sobre os "traumas" de infância tem acovardado muitos pais, tornando-os incapazes de agir com rigor e determinação na educação dos filhos.Dr . Flávio Gikovate , psicoterapeuta e escritor
Livro relacionado ao assunto
http://www.flaviogikovate.com.br/

INDIVIDUALISMO NÃO É EGOÍSMO

INDIVIDUALISMO NÃO É EGOÍSMO
Individualismo é uma palavra que provoca polêmicas e mal-entendidos. Penso que quando isso acontece é porque o termo está sendo usado com múltiplos significados, o que desencadeará emoções diferentes de acordo com o modo como cada um a entenda. Individualismo é palavra que determina juízo negativo quando é usada como sinônimo de egoísmo. O mesmo acontece quando ela é usada para descrever uma pessoa incompetente para relacionamentos afetivos e para uma adequada integração em grupos de convívio.
Vale a pena uma reflexão mais rigorosa a respeito do tema, especialmente porque temos vivido uma fase da nossa história na qual cresce a tendência na direção do individualismo. O individualismo tem crescido basicamente em função dos avanços tecnológicos que nos levam a passar cada vez mais tempo em atividades solitárias, tais como o uso do computador, de “walk-man”, de jogos eletrônicos etc.; isso desde os primeiros anos de vida. É fato também que a disponibilidade da maioria das mães diminuiu porque elas hoje também trabalham fora de casa. Além disso, é cada vez mais difícil para as crianças conviverem com outras da mesma idade de forma espontânea, já que as ruas não são mais o “play-ground” que eram.
Podemos definir o individualismo como a capacidade de exercer a própria individualidade. É curioso porque a palavra individualidade tem conotação positiva, como a conquista de um estado de autonomia. Nascemos totalmente sem identidade e em estado de fusão com nossas mães. Levamos mais de 20 anos para completar o processo de desenvolvimento interior que definirá nossa individualidade. Ela é, talvez, uma das nossas maiores conquistas: conseguimos finalmente nos reconhecer como um ser autônomo, com pensamento próprio e pontos de vista construídos a partir de nossas próprias vivências -- é claro que influenciado por tudo o que nos cerca.
A individualidade nos faz consciente de nossa condição de solitários, de que todos os contatos que estabelecemos com “os outros” é um tanto precário, que nem sempre somos tão bem entendidos como gostaríamos, isso porque o modo de pensar de cada cérebro é único e a comunicação nem sempre se estabelece. Por anos lutamos contra a sensação de solidão determinada pela constituição da nossa individualidade. Creio que nós, como espécie, ainda lutamos contra essa condição e só estamos nos aproximando dela em virtude dos avanços tecnológicos que estão nos “forçando” a dar continuidade ao processo de emancipação que sempre tendemos a interromper.
Os processos contrários à individualidade fazem parte do fenômeno amoroso, da tendência que temos de nos aconchegar inicialmente em nossas mães e depois em seus substitutos adultos -- relacionamentos amorosos, patriotismo etc. Ao nos colocarmos como defensores do amor e das tendências gregárias que dele resultam nos posicionamos, nem sempre de modo consciente, contra o desenvolvimento da nossa individualidade. Passamos a considerá-la como nociva ao bem comum, como algo que nos impediria de pensar também no próximo. Para preservar o termo “individualidade”, altera-se o foco das críticas para outra palavra com significado semelhante. Aqueles que são favoráveis às causas coletivas se colocam contra o individualismo -- que significa apenas o exercício da individualidade, algo que eles mesmos consideram positivo.
Compreendo a aflição das pessoas diante de um ponto de vista novo e aparentemente contraditório com o que se habituaram; ou seja, de que o individualismo implica em egoísmo e descaso pelo outro. Do meu ponto de vista, porém, não vejo nenhuma contradição entre o exercício pleno da nossa individualidade e o desenvolvimento do sentido moral e de solidariedade social. Ao contrário, tenho observado que o incompleto desenvolvimento emocional das pessoas -- o que, na prática, implica no não atingimento do estágio individualista --- acaba por provocar condutas moralmente duvidosas.
Assim sendo, não só não creio que o individualismo não é sinônimo e nem implica em egoísmo como é forte a convicção que tenho na direção oposta: o egoísmo deriva da imaturidade emocional que se caracteriza pelo incompleto desenvolvimento da individualidade. O egoísta não pode ser individualista porque ele tem que ser favorável à vida em grupo já que não tem competência para gerar tudo aquilo que necessita. É do grupo -- ou de algumas pessoas pertencentes ao grupo -- que irá extrair benefícios. O egoísta é aquele que precisa receber mais do que é capaz de dar. É um fraco e não um esperto. Ou melhor, é esperto porque é fraco e precisa usar a inteligência para ludibriar outras pessoas e delas obter o que necessita e não é capaz de gerar. O egoísta tem que ser simpático e extrovertido. Não é assim porque gosta das pessoas e de estar com elas. É assim porque precisa delas e tem que seduzi-las com o intuito de extrair delas aquilo que necessita.
Uma outra forma de imaturidade emocional, menos dramática que o egoísmo, é a generosidade. O generoso precisa se sentir amado e benquisto. Para atingir esse objetivo faz qualquer tipo de concessão. O egoísta percebe isso -- é esperto e atento a todas as oportunidades de se beneficiar -- e trata de obter os favores práticos que o generoso está disposto a prestar com o intuito de se sentir aconchegado. Compõe-se uma aliança sólida e nociva entre esses dois tipos de pessoas imaturas e dependentes: o egoísta depende para aspectos práticos da sobrevivência e o generoso depende para aspectos emocionais de aconchego e de não se sentir sozinho. Esse tipo de aliança define um tipo comum de elo amoroso que E. Fromm chamava de sado-masoquista: o sádico é o egoísta e o masoquista o generoso. Existe uma interdependência na qual o mais poderoso -- porque o menos imaturo -- é o generoso ou o masoquista. Sim, porque até mesmo no sado-masoquismo sexual quem dá as cartas é o masoquista!
Há 25 anos venho tentando desvendar e desfazer essa trama, a meu ver muito duvidosa, que se estabelece entre os “bons” -- generosos -- e os “maus” -- egoístas. Há mais de duas décadas luto contra essa dualidade que não tem nos levado a parte alguma e que se transmite, através do exemplo, de geração em geração. Há décadas tento ver o que existe para além do bem e do mal. Tenho buscado com tenacidade e persistência um modo de ser que seja verdadeiramente moral e não esse padrão que dá virtude à generosidade e que implica obrigatoriamente na existência de igual número de egoístas. A generosidade não é virtude porque ela se exerce perpetuando o modo de ser egoísta daquele que é seu beneficiário.
Considero importante distinguir generosidade de altruísmo: esse último corresponde a ajuda anônima a terceiros desconhecidos ou pouco conhecidos, de modo que não implica no reforço do egoísmo, já que não existe trocas íntimas. Egoísmo e generosidade interagem e se reforçam de modo negativo nas relações íntimas entre casais, entre pais e filhos, entre sócios e na sociedade como um todo. Há décadas venho afirmando que o egoísmo só irá desaparecer quando desaparecer a generosidade. Ou seja, o parasita só desaparecerá quando não houver mais hospedeiro a ser parasitado. Assim sendo, todo aquele que defender a generosidade como virtude estará indiretamente defendendo a existência de egoístas!
A superação da dualidade egoísmo-generosidade corresponde ao modo de ser que chamo de justo: aquele no qual não se recebe mais do que se dá mas também não se dá mais do que recebe. O justo terá que ser um indivíduo independente tanto do ponto de vista prático como emocional. Não poderá necessitar de ninguém para as questões práticas da sobrevivência, como é o caso do egoísta. Não poderá necessitar de ninguém do ponto de vista do aconchego emocional, como é o caso do generoso. Isso não significa que não deseje estabelecer elos nos quais hajam trocas de todos os tipos. Trocas justas. Não se deve desprezar também a diferença entre necessidade e desejo. No caso do desejo, o que está em jogo é o prazer e não a necessidade, de modo que tendemos a ser muito mais cuidadosos na “contabilidade” que envolve as trocas com os que nos cercam.
Pessoas maduras emocionalmente gostam de se relacionar social e afetivamente. Por não precisarem vitalmente das outras pessoas não são obrigadas a estar com elas o tempo todo, como costuma acontecer com os egoístas, mais imaturos e dependentes. Pessoas mais maduras gostam também de ficar consigo mesmas, com seus pensamentos, seus sonhos, suas músicas, seus livros, etc. Pessoas mais maduras são aquelas que desenvolveram mais firmemente sua individualidade e chegaram a um modo de ser que lhes agrada; assim, conviver consigo mesmas também é um bom programa!
Pessoas mais maduras são, pois, individualistas, aquelas que exercitam com prazer suas individualidades. Costumam preferir um convívio social mais restrito, de modo que são mais exigentes na escolha dos seus amigos e conhecidos. Outras não se sentem muito gratificados com as interações humanas e pode muito bem ser que prefiram uma vida mais solitária. Especialmente aquelas que já se conciliaram com essa peculiaridade da nossa condição. Sim, porque é provável que uma das razões pelas quais temos demorado tanto para atingir esse estágio que pode ser chamado de nascimento emocional deriva da nossa dificuldade de aceitar a condição de seres únicos e sozinhos. Nascemos fisicamente no momento do parto e só depois de vários meses conseguimos nos reconhecer como separados de nossas mães, o que corresponde ao nascimento psicológico. Parece que precisamos mais de 20 anos para que aconteça o nascimento emocional, isso para aqueles poucos que conseguem chegar até aí!
Reafirmo minha convicção que o individualismo corresponde ao atingimento da maturidade emocional, condição indispensável para o estabelecimento de relações afetivas de qualidade e também o surgimento de um efetivo avanço moral entre nós. Essa é a boa notícia que deriva das dramáticas e nem sempre adequadas mudanças que temos acompanhado nos últimos 40 anos. Espero que tenhamos tempo para vê-la florescer, o que só acontecerá se o mundo não acabar justamente em mais uma guerra entre o “bem” e o “mal”!
Artigo original
Flávio Gikovate

Sunday, July 27, 2008

INTELIGÊNCIA EMOCIONAL Flávio Gikovate


*Desligue a música no 'mini player' antes de ver o vídeo

AMOR VERSUS INDIVIDUALIDADE

AMOR VERSUS INDIVIDUALIDADE.

Ao longo do segundo ano de vida a criança vivencia enorme avanço em suas competências: aprende a andar, a formular as primeiras frases, aprimora suas aptidões motoras etc. Se até então seu maior prazer era ficar no colo da mãe, usufruindo da paz e aconchego similar ao que foi perdido com o nascimento e sentindo por ela aquilo que chamamos de amor, agora ela gosta também de circular, especular o ambiente, tentar entender para que servem e como é que funcionam os objetos. Coloca quase tudo que encontra na boca, tenta sentir seu tato, observa o que acontece quando deixa que caiam no chão. Dá sinais de grande satisfação a cada nova descoberta. Está praticando os primeiros atos próprios de sua individualidade – e se deleitando com eles.
Tudo isso acontece na presença da mãe. Sim, porque se ela for para um outro local, a criança imediatamente abandona o que está fazendo e sai em disparada atrás dela. O mesmo acontece se levar um tombo: corre chorando de volta para o colo. Diante da dor física ou da iminência de distanciamento exagerado da mãe, a sensação de desamparo cresce muito rapidamente e aí torna-se absolutamente necessária a reaproximação. Há, pois, uma clara alternância de preferências: estando tudo em ordem, o que a criança quer é exercer os prazeres da sua individualidade em formação; ao menor desconforto, busca no aconchego materno (amor) o remédio para todas as dores.
Não há como não compararmos nossos comportamentos ditos adultos com o que acabei de descrever: queremos exercer nossa individualidade com a máxima liberdade, mas queremos voltar para casa e encontrar o parceiro à nossa espera. Ficamos bem longe da pessoa amada por algum tempo, mas depois o desejo maior é o de nos aconchegarmos; se isso não é possível, sentimos a dor forte correspondente à saudade (mistura de abandono com lembrança do calor que advém da companhia). Temos a nosso favor o benefício de um imaginário mais rico e a capacidade de nos comunicar à distância graças aos recursos tecnológicos: nos sentimos aconchegados, mesmo estando longe, graças às palavras e juras de amor.
No convívio íntimo, parece que queremos mesmo é encontrar uma fórmula capaz de conciliar amor e individualidade: quero, por exemplo, assistir ao programa de TV do meu interesse e quero que minha amada esteja ao meu lado, se possível bem agarradinha. Ela, também interessada no aconchego, poderá tentar achar graça, por exemplo, no jogo de futebol que tanto me encanta. Mas talvez não consiga e aí começam os problemas. Ela se afastará, indo em busca daqueles que são os seus reais interesses individuais. Eu me sentirei rejeitado, abandonado e mal amado; tentarei pressioná-la com o intuito de fazer com que volte. Ela, prejudicada em seus legítimos direitos, se revoltará e a briga (chamada de “briga normal dos casais”) será inevitável.
O homem é, ao mesmo tempo, a criança e a mãe. O mesmo vale para a mulher. Querem exercer sua individualidade, mas sem se afastar muito um do outro. Lutarão pelo poder, para definir quem irá impor o ritmo e a programação. Por maiores que sejam as afinidades, sempre irão existir atividades que são do interesse exclusivo de um dos membros do casal. A fórmula tradicional – homens mandam e mulheres obedecem – não funciona mais (felizmente).
O que fazer? Só há um jeito: o crescimento emocional de ambos para que a dependência típica do amor infantil se atenue. Que cada um consiga se sentir em condições de exercer suas atividades, de modo a liberar o parceiro para fazer o mesmo.
http://www.flaviogikovate.com.br/

Saturday, July 26, 2008

SOBRE ESTAR SOZINHO Flávio Gikovate psicoterapeuta

Sobre estar sozinho
Flávio Gikovate

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.O que se busca, hoje, é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos. Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino. A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência – e pouco romântica, por sinal.A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade, pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras. O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem de ir se reciclando, para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egoísmo. O egoísta não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral. A nova forma de amor, ou mais amor, tem nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva. A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem. Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo ao nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal.Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontradas dentro dele mesmo, e não a partir do outro. Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um.O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável. Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém: algumas vezes, você tem de aprender a perdoar a si mesmo…* Flávio Gikovate é médico formado pela USP no ano de 1966. Desde 1967, trabalha como psicoterapeuta, tendo atendido mais de 8000 pacientes. Dedica-se, principalmente, às técnicas breves de psicoterapia.

" NÃO CONCORDO COM UMA SÓ PALAVRA DO QUE DIZEIS MAS DEFENDEREI ATÉ A MORTE VOSSO DIREITO DE DIZÊ-LO ..." Voltaire

"Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo."Voltaire
Mesmo Assim Vivemos um momento na face da Terra que, por vezes, parece que todos os valores morais estão em baixa. E você, que está buscando construir suas mais nobres virtudes, em muitos momentos se sente enfraquecido pelo próprio mundo à sua volta. Quando age com honestidade, comentam que você é tolo, que está remando contra a maré, em vez de fazer o que todo mundo faz. Mas se você quer ser grande perante sua consciência, seja honesto mesmo assim. Se procura balizar seus atos na justiça, ouve que essa atitude é a de um alienado, vivendo num mundo em que vence sempre o mais forte. No entanto, seja justo mesmo assim. Se está construindo um lar apoiado nas colunas sólidas da fidelidade, é comum ouvir gargalhadas insanas ou comentários maldosos a respeito do seu comportamento. Seja fiel mesmo assim. Quando seu coração se compadece, diante dos infelizes de toda sorte, não falta a zombaria daqueles que pensam que cada um deve pensar em si próprio, ignorando os sofrimentos dos irmãos de caminhada. Tenha compaixão mesmo assim. Se você dedica algumas horas do seu dia, voluntariamente, em favor de alguém, rico ou pobre, que precisa da sua atenção e do seu carinho, percebe as investidas da maldade daqueles que pensam que nos seus atos há uma segunda intenção. Seja fraterno e solidário mesmo assim. Quando você age com sinceridade, com lealdade, é comum ser taxado de insensato, fugindo do comum em que muitos usam de subterfúgios mesquinhos para conseguir o que desejam. Seja sincero e leal mesmo assim. Se, diante das circunstâncias do dia-a-dia, você revela sua fé em Deus e em Suas soberanas Leis, e é chamado de piegas ou crédulo, mantenha sua fé mesmo assim. Se em face de tantos desatinos no campo da sensualidade e na falta de decoro que assola grande parte dos seres, você deseja manter-se íntegro e recatado e é chamado de louco mantenha-se íntegro e recatado mesmo assim. Quando aqueles que se julgam acima do bem e do mal tentam apagar a chama da esperança que você acalenta no íntimo, afirmando que a esperança é a ilusão da mediocridade, mantenha a esperança mesmo assim. E, por fim, mesmo que alguém tente roubar a sua coragem de continuar lutando e acreditando em dias melhores, mantenha sua coragem e continue acreditando mesmo assim. Ao findar sua jornada terrestre, e só então, você poderá contemplar a ficha de avaliação do seu desempenho. Somente você será responsabilizado por seus atos. E tenha a certeza de que todos aqueles que tentaram desviá-lo do caminho reto não estarão lá para lhe dar apoio.
Madre Teresa de Calcutá, dentre tantos conselhos preciosos que legou à humanidade, deixou um conselho especial para aqueles que desejam construir na intimidade as mais nobres virtudes, dizendo: "Muitas pessoas são irracionais, ilógicas e egocêntricas. Ame-as, mesmo assim." "Se você tem sucesso em suas boas realizações, ganhará falsos amigos e verdadeiros inimigos. Tenha sucesso, mesmo assim." "O bem que você faz será esquecido amanhã. Faça o bem, mesmo assim." "A honestidade e a franqueza o tornam vulnerável. Seja honesto, mesmo assim." "Aquilo que você levou anos para construir, pode ser destruído de um dia para o outro. Construa, mesmo assim." "Os pobres têm verdadeiramente necessidade de ajuda, mas alguns deles podem atacá-lo se você os ajudar. Ajude-os, mesmo assim." "Se você der ao mundo e aos outros o melhor de si mesmo, você corre o risco de se machucar. Dê o que você tem de melhor, mesmo assim."
Equipe de Redação do Momento Espírita

Friday, July 25, 2008

DANDO O MELHOR DE NOSSAS ALMAS

Dando o Melhor
Muitas coisas se falam a respeito de Beethoven. O fato de ter composto extraordinárias sinfonias, mesmo após a total surdez, é sempre recordado. Exatamente por causa de sua surdez, ele era pouco sociável. Enquanto pôde, escondeu o fato de a audição estar comprometida. Evitava as pessoas porque a conversa se lhe tornara uma prática difícil e humilhante. Era o atestado público da sua deficiência auditiva. Certo dia, um amigo de Beethoven foi surpreendido pela morte súbita de seu filho. Assim que soube, o músico correu para a casa dele, pleno de sofrimento. Beethoven não tinha palavras de conforto para oferecer. Não sabia o que dizer. Percebeu, contudo, que num canto da sala havia um piano. Durante 30 minutos, ele extravasou suas emoções da maneira mais eloqüente que podia. Tocou piano. Ao contato dos seus dedos, as teclas acionadas emitiram lamentos e melodiosa harmonia de consolo. Assim que terminou, ele foi embora. Mais tarde, o amigo comentou que nenhuma outra visita havia sido tão significativa quanto aquela. Por vezes, nós também, surpreendidos por notícias muito tristes ou chocantes, não encontramos palavras para expressar conforto ou consolação. Chegamos ao ponto de não comparecer ao enterro de um amigo, por sentir "não ter jeito" para dizer algo para a viúva, ou os filhos órfãos. Não vamos ao hospital, visitar um enfermo do nosso círculo de relações, porque nos sentimos inibidos. Como chegar? O que levar? O que dizer? Aprendamos com o gesto do imortal Beethoven. Na ausência de palavras, permitamos que falem os nossos sentimentos. Ofertemos o abraço silencioso e deixemos que a vertente das lágrimas de quem se veste de tristeza, escorra em nosso peito. Ofereçamos os ombros para auxiliar a carregar a dor que extravasa da alma, vergastando o corpo. Sentemo-nos ao lado de quem padece e lhe seguremos a mão, como a afirmar, com todas as letras e nenhum som: "estou aqui. Conte comigo." Sirvamos um copo d´água, um suco àquele que secou a fonte das lágrimas e prossegue com a alma em frangalhos. Isto poderá trazer renovado alento ao corpo exaurido pela convulsão das dores. Verifiquemos se não podemos providenciar um cantinho para um repouso, ainda que breve. Permaneçamos com o amigo, mesmo depois que todos se tenham retirado para seus lares ou se dirigido aos seus afazeres. As horas da solidão são mais longas, quando os ponteiros avançam a madrugada. Sê amigo conveniente, sabendo conduzir-te com discrição e nobreza junto àqueles que te elegem a amizade. A discrição é tesouro pouco preservado nas amizades terrenas. Todas as pessoas gostam de companhias nobres e discretas, que inspiram confiança, favorecendo a tranqüilidade. Ouve, vê, acompanha e conversa com nobreza, sendo fiel à confiança que em ti depositem.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. "O Dom de Beethoven", de autoria de Philip Yancey, do livro Histórias para o Coração 2, de Alice Gray, ed. United Press e cap. CXXXVIII do livro Vida Feliz, de Joanna de Ângelis, psicografia de Divaldo Franco.
Som de Fundo:"Sonata n.14, Moonlight, 1. mov"

Thursday, July 24, 2008

A ARTE É A LINGUAGEM DO UNIVERSO EXPLODINDO DE VIDA EM CADA NOVO AMANHECER

'ARTE É VIDA' COMPLETA DOIS ANOS EM AGOSTO , QUERO AGRADECER A TODOS , AS MENSAGENS NO 'LIVRO DE VISITAS' , OS COMENTÁRIOS , AS CONSTANTES PRESENÇAS E O GRANDE INCENTIVO QUE SEMPRE ME OFERECEM ! COM MEU CARINHO E AMIZADE , UM ABRAÇO , SANDRA

Wednesday, July 23, 2008

ARTE É LUZ

ÉTICA , UMA PALAVRA FORA DE MODA!

Ética, uma palavra fora de moda!
O Dicionário da Língua Portuguesa define a palavra Ética, como: s.f. parte da filosofia que estuda os deveres do homem para com Deus e a sociedade; deontologia; ciência da moral.¹ Significado este, que nos dias da atualidade, tornou-se artigo de luxo, muito raro de ser observado.É, perfeitamente natural, que o homem alimente o desejo de crescer, de progredir, de alcançar vitórias em sua vida. Quem não nutre esses sonhos no fundo do seu SER? O problema é a forma como esses desejos ou aspirações são alcançados, pois, não podemos jamais esquecer de que em tudo precisamos ser acima de qualquer coisa dignos, honestos e honrados; afinal, não somos cristãos seguidores da mensagem do Mestre de Nazaré através dos ensinamentos contidos na sublime mensagem deixada por ele nos evangelhos?O Espiritismo nos ensina que só nos pertence verdadeiramente, aquilo que conquistamos com esforço e trabalho honesto, sem prejuízo de outrem, da forma mais justa possível e, em conformidade com as Leis Divinas, pois, vivendo o homem em sociedade, terá ele direitos e obrigações a cumprir, como se pode ver nas instruções dos Imortais da Vida Maior em resposta à indagação do insigne Codificador nas questões que seguem constantes de O Livro dos Espíritos.877. Da necessidade que o homem tem de viver em sociedade, nascem-lhe obrigações especiais?“Certo e a primeira de todas é a de respeitar os direitos de seus semelhantes. Aquele que respeitar esses direitos procederá sempre com justiça. Em o vosso mundo, porque a maioria dos homens não pratica a lei de justiça, cada um usa de represálias. Essa a causa da perturbação e da confusão em que vivem as sociedades humanas. A vida social outorga direitos e impões deveres recíprocos.”878. Podendo o homem enganar-se quanto à extensão do seu direito, que é o que lhe fará conhecer o limite desse direito?“O limite do direito que, com relação a si mesmo, reconhecer ao seu semelhante, em idênticas circunstâncias e reciprocamente.” ²Se analisarmos com atenção as respostas acima, chegaremos facilmente à conclusão, de que o homem não pode em hipótese alguma deixar de respeitar os direitos de seu semelhante, pois, se assim não proceder, estará cometendo uma grande falta perante a paternidade Divina que nos criou em igualdade de situação, sem privilégio algum em relação ao nosso irmão que conosco caminha em direção à felicidade e à perfeição tão desejadas.Precisamos aprender a ser éticos em nossas atitudes para com tudo, isto é, respeitar a Deus e aos homens, saber impor limites às nossas ações para alcançar os nossos objetivos, saber manter sob controle nossas ambições, e empregar todos os esforços para não nos utilizarmos de quaisquer artifícios ilegais na luta para conseguir a realização desses objetivos. Entre tantas outras atitudes condenáveis podemos alertar para algumas como: não roubar, mentir ou pisar nos outros para atingir nossos secretos e ambiciosos desejos.Desde cedo temos a obrigação moral de dar aos nossos filhos exemplos de atitudes dignas pautados na ética e na decência, pois, hoje em dia a maioria dos pais se preocupa em demasia em tornar seus filhos ambiciosos para a conquista dos bens materiais, mas ao mesmo tempo, não se incomodam quando os filhos não são éticos no alcance de suas propostas, se for preciso colar na prova para passar de ano, isso pouco importa, desde que passe, é tudo o que eles objetivam como sendo a meta maior a ser conquistada.Reduzido é o número de pais que se preocupam em saber o comportamento do seu filho na escola, se ele não atrapalha o bom andamento das aulas, se é cumpridor dos afazeres a ele atribuídos etc., e ainda, muitos se aborrecem se forem chamados para uma reunião na escola, e se lhe for feita qualquer tipo de queixa sobre o comportamento do seu “santo” filho.O problema maior, é que normalmente os responsáveis por ensinar os princípios da moral e da ética aos seus rebentos, desconhecem esses princípios, pois, só alcançam seus objetivos ambiciosos a preço de pesados prejuízos que impõem aos outros, sem se incomodarem com quaisquer fundamentos de ética ou dignidade, que sabem cobrar quando se vêem prejudicados no mínimo detalhe.Até mesmo em nosso movimento espírita, encontramos grande quantidade de companheiros que desconhecem o valor da dignidade em suas atitudes para com os seus irmãos de ideal espírita, e, sem o menor constrangimento, praticam atos, que há muito já deveriam ter erradicado de suas ações, como espíritas que dizem ser com muitos anos de movimento espírita.Devemos nos alicerçar nos ensinos da doutrina espírita, que nos aclara o entendimento para que saibamos melhor discernir na hora de tomar qualquer atitude, principalmente se for causar qualquer dano ou prejuízo ao nosso semelhante, para que nossa aquisição possa ser considerada como legítima da forma que os Espíritos Superiores nos ensinaram nas questões que seguem:884. Qual o caráter da legítima propriedade?“Propriedade legítima só é a que foi adquirida sem prejuízo de outrem.” (808) Proibindo-nos que façamos aos outros o que não desejáramos que nos fizessem, a lei de amor e de justiça nos proíbe, ipso facto, a aquisição de bens por quaisquer meios que lhe sejam contrários.885. Será ilimitado o direito de propriedade?“É fora de dúvida que tudo o que legitimamente se adquire constitui uma propriedade. Mas, como havemos dito, a legislação dos homens, porque imperfeita, consagra muitos direitos convencionais, que a lei de justiça reprova. Essa a razão por que eles reformam suas leis, à medida que o progresso se efetua e que melhor compreendem a justiça. O que num século parece perfeito, afigura-se bárbaro no século seguinte.” (795) ³Que o Mestre de Nazaré possa nos inspirar a agir em tudo com ética, vivenciando em nossas ações diárias, os exemplos que ELE nos veio ensinar há mais de 2000 anos atrás.
Francisco Rebouças
Publicado no Recanto das Letras em 23/07/2008
Código do texto: T1093621

NOSSAS INTELIGÊNCIAS

Nossas Inteligências
Conta-se que um filósofo, ao atravessar um longo rio, numa canoa, perguntou ao canoeiro se ele entendia de Astronomia. "Não, senhor!" Respondeu o canoeiro. "Em toda minha vida nunca ouvi falar nesse nome." E o filósofo replicou: "Sinto muito que você haja desperdiçado a quarta parte de sua vida. Você sabe alguma coisa de Matemática?" O pobre homem sorriu, e lhe disse: "Não!" Então tornou a dizer o interlocutor: "Você perdeu outra quarta parte de sua vida." Depois, perguntou pela terceira vez: "Sabe algo sobre Geologia?" "Não, nunca fui à escola", replicou o canoeiro. "Bem, amigo, quase toda a sua vida foi mal empregada." No mesmo momento da conversa, a canoa bateu numa pedra, e, enquanto o canoeiro tirava a jaqueta para nadar até a margem do rio, perguntou ao filósofo: "O senhor sabe nadar?" "Não", respondeu prontamente. "Sinto muito, mas o senhor desperdiçou toda a sua vida, porque a canoa afundará em poucos minutos." Muitos de nós costumamos agir como o filósofo, diante das pessoas que julgamos menos inteligentes que nós. Temos que convir, entretanto, que as inteligências são variadas e relativas. Há engenheiros brilhantes que fazem cálculos complexos, e não conseguem precisar o tempo de cozimento de uma porção de arroz. E há pessoas analfabetas, ou de muito pouco conhecimento que fazem isso com naturalidade. Existem pilotos competentes que operam com precisão dezenas de botões, e põem a gigantesca nave no ar, mas ficam paralisados diante de um ferro elétrico e uma simples camisa para passar. Há professores brilhantes que ensinam matérias difíceis aos seus alunos, e não conseguem manejar o controle de um vídeo-game, como o fazem os jovens a quem ensinam. Dessa forma, percebemos que há inteligências e inteligências. E cada um de nós entende sobre determinado assunto, mais ou menos que as outras pessoas. Os espíritos superiores afirmam que a felicidade suprema consiste no conhecimento de todas as coisas. Assim, um dia todos teremos que saber tudo. E é graças ao intercâmbio dos conhecimentos que cada um de nós aprende um pouco a cada dia. E esse intercâmbio se dá na convivência em sociedade. Quer seja no lar, no trabalho, ou no lazer, estamos sempre aprendendo com alguém e transmitindo nossas experiências aos outros. Desse modo, vivamos de maneira que possamos transmitir aos outros os conhecimentos que possuímos, sem ostentação, e captar os ensinamentos dos outros, com humildade e alegria. Você sabia que o aprendizado é cumulativo? Isto quer dizer que nada do que aprendemos se perde no tempo, e cada aprendizado serve de base para novos conhecimentos. E você sabia que o espírito não retrograda em sua marcha evolutiva? Ele pode estacionar em uma ou outra reencarnação, mas retroagir não. Quando Jesus afirmou que poderíamos fazer o que ele fez, e muitas outras coisas, estava afirmando a nossa possibilidade de chegar à perfeição. Assim sendo, vale a pena aprender cada vez mais, para chegar mais rápido à perfeição relativa que nos cabe.
Equipe de Redação do Momento Espírita, citando João, 14:12

Tuesday, July 22, 2008

IN VINO VERITAS!

In Vino Veritas
In Vino Veritas - No vinho está a verdade, afirmavam os antigos romanos. Com isso eles queriam dizer que a embriaguez soltava a língua e fazia a verdade vir à tona, no que eles tinham inteira razão, tanto que foram grandes produtores e apreciadores de vinho. Conheciam também a cerveja, o "vinho da cevada", a que chamavam cervecia, mas não a apreciavam muito. Em todo o mundo mediterrâneo, considerava-se o vinho e o azeite de oliva como o símbolo da civilização, ao passo que a cerveja e a gordura animal seriam o símbolo da barbárie.
Como descendente de gente do mediterrâneo, compartilho a paixão pelo vinho. Mas esta paixão não me foi transmitida por meus progenitores; eu a descobri na idade madura, quase por acaso, com o despertar de uma atração atávica e irresistível, que não sei bem explicar. Tive que viajar para aprender a gostar de vinho. E suprema ironia, a viagem não foi sequer para um país com tradição vinífera, eu estava indo para o extremo oriente. Na verdade, não precisei chegar a meu destino; a revelação deu-se ainda no avião. Explico: pela primeira vez em minha vida, eu viajava pela classe executiva (obviamente a viagem era a serviço e a passagem fora paga pela parte contratante) e tive a chance de provar o vinho de qualidade superior que era servido ali em generosa quantidade. De início, meu paladar obtuso mal notou qualquer diferença em relação aos vinhos de supermercado que eu provava de raro em raro. Mas quanto às sensações que eram produzidas, a diferença era, esta sim, enorme. Experimentei uma vertigem, um bem-estar, um frêmito em minha atividade intelectual aliado a um aguçamento de minha sensibilidade, que me fez por algumas horas achar poético o que era prosaico, e finalmente entendi o que quisera dizer aquele jornalista norte-americano (HL Mencken, creio) que, ao ser questionado sobre por que bebia tanto, respondeu: "bebo para tornar os outros interessantes". Lentamente caí no sono, e acordei no dia seguinte com excelente disposição, mesmo após mais de 24 horas de viagem. Não soube inicialmente explicar o que me sucedera, mas após a terceira viagem, e tendo observado que igual estado de consciência me acometia sempre duas horas após a decolagem, por fim descobri o motivo.
Por sorte, esta terceira viagem a serviço foi para um país europeu, e pude aproveitar para descobrir porque estes europeus preferem um copo de vinho no lugar de uma coca-cola para acompanhar as refeições. Timidamente aventurei-me a escolher um vinho ou outro, mesmo sem ter a menor idéia de quanto tipos e qualidades existiam, e qual seria o apropriado para cada situação. Nunca me esqueci a primeira vez em que entrei em um supermercado qualquer em Zurique e contemplei a imensa estante de vinhos, com centenas de garrafas, oriundas de vários países europeus e com denominações de que eu jamais ouvira falar, e o mais surpreendente de tudo, havia vinhos baratíssimos, na faixa de dois francos suíços, e que nem assim deixavam de ter uma qualidade respeitável. Voltei lá nas viagens seguintes, e os preços se mantinham, assim como os hábitos da população.
Desde então tornei-me um apreciador de vinhos, embora mal esteja começando a entender do assunto. Consumo-o regularmente, mesmo sozinho, ao menos meia garrafa. Acostumei-me ao olhar espantado dos garçons, quando lhes peço uma taça de vinho ao invés de um refrigerante. Interessado que sou em História, procurei levantar a evolução histórica do vinho. Surgiu há mais de sete mil anos atrás, possivelmente na Ásia Menor. Eu compreendo o motivo de tão duradoura paixão. Para uma vida curta, bruta, de lutas, sofrimento e trabalho árduo, o vinho era a única fonte de alívio para os dissabores, a única diversão, a única fonte de encorajamento, e mais do que isso, era o único anticéptico, o único anestésico, o único calmante, o único sonífero, às vezes o único alimento. Servia até para matar a sede, como acontecia nas caravelas que descobriram o Brasil, que carregavam tantos barris de água quanto de vinho. Explica-se: a água apodrecia nos barris de madeira e causava diarréia nos marinheiros, ao passo que o vinho suportava bem melhor a viagem. Era também com o vinagre fervendo que se desinfetava o chão imundo de excrementos do porão dos navios, e se assegurava um mínimo de condições de sobrevivência aos tripulantes. Teria sido descoberto o Brasil, se não fosse o vinho?
Mas por que fui tocar neste assunto? É que vejo este tradicional desapego dos brasileiros pelo vinho como o emblema de um incompreensível rompimento com nossas raízes ibéricas. Gostamos de alardear que o Brasil é a terra da cerveja, a Loura Gelada, como se a cerveja fosse invenção nossa, e não mais uma importação européia. Não é de todo sem motivo este divórcio: os portugueses nos legaram a maior parte de nossa bagagem cultural, mas houve uma coisa que eles não nos legaram - o vinho. Estavam proibidos de fazê-lo. Plantar videiras aqui, assim como plantar oliveiras, era crime de cadeia. Só fomos descobrir o vinho com a chegada dos imigrantes italianos, e só agora nosso produto começa a adquirir certa qualidade, e suprema ironia, o consumo cresce entre os brasileiros, ao mesmo tempo em que diminui na Europa.
Cada vez que saco a rolha de uma garrafa, tenho a sensação de estar promovendo uma reconciliação entre a nossa terra e nossos ancestrais ibéricos, com os quais rompemos por motivo de orgulho tolo e pueril. Então, que garrafa tomamos hoje? In Vino Veritas!

PERDOAR É LIBERTAR-SE

Perdoar é Libertar-se
Se alguém lhe atirasse uma pedra, o que você faria com ela? Você a ajuntaria e guardaria para atirar no seu agressor em momento oportuno a ou jogaria fora? Trataria dos ferimentos e esqueceria a pedra no lugar em que ela caiu? Se você respondeu que a guardaria para devolver em momento oportuno, então pense em como essa pedra irá atrapalhá-lo durante a caminhada. Vamos supor que você a guarde no bolso da camisa, onde fique bem fácil pegá-la quando for preciso. Agora imagine como essa pedra lhe causará bastante desconforto. Primeiro porque será um peso morto a lhe dificultar a caminhada lhe exigindo maior esforço para mantê-la no lugar. Segundo porque cada vez que você for abraçar alguém, ambos sentirão aquele objeto estranho a machucar o peito. Terceiro porque se você ganhar uma flor, por exemplo, não poderá colocá-la no bolso já que ele estará ocupado com aquele peso inútil. Em quarto lugar, o seu agressor poderá desaparecer da sua vida e você nunca mais voltar a encontrá-lo e, nesse caso, terá carregado a pedra inutilmente. Fazendo agora uma comparação com uma ofensa qualquer que você venha a receber, podemos seguir o mesmo raciocínio. Se você guardar a ofensa para revidar em momento oportuno, pense em como será um peso inútil a sobrecarregar você. Pense em quanto tempo perderá mentalizando o seu agressor e imaginando planos para vingar-se. Pondere quantas vezes você deixará de sorrir para alguém pensando em como devolverá a ofensa. E se você insistir em alimentar a idéia de revide, com o passar do tempo se tornará uma pessoa amarga e infeliz, pois esse ácido guardado em sua intimidade apagará o seu brilho e a sua vitalidade. Mas se você pensa diferente e quando recebe uma pedrada, trata dos ferimentos e joga a pedra fora, perceberá que essa é uma decisão inteligente, pois agirá da mesma forma quando receber outra ofensa qualquer. Quem desculpa seu agressor é verdadeiramente uma pessoa livre, pois perdoar é libertar-se. Ademais, quem procura a vingança se iguala ao seu agressor e perde toda razão mesmo que esteja certo. Somente pode considerar-se diferente quem age de forma diferente e não aquele que deseja fazer justiça com as próprias mãos. Em casos de agressões que mereçam providências, devemos buscar o apoio da justiça e deixar a cargo desta os devidos recursos. Todavia, vale ressaltar que perdoar não é apenas esquecer temporariamente as ofensas, é limpar o coração de qualquer sentimento de vingança ou de mágoa. A pedra bruta perdoa as mãos que a ferem, transformando-se em estátua valiosa. O grão de trigo perdoa o agricultor que o atira ao solo, multiplicando-se em muitos grãos que, esmagados, enriquecem a mesa. O ferro deixa-se dobrar sob altas temperaturas e perdoa os que o modelam, construindo segurança e conforto. Perdoar, portanto, é impositivo para toda hora e todo instante, pois o perdão verdadeiro é como uma luz arremessada na direção da vida e que voltará sempre à fonte de onde saiu.
Equipe de Redação do Momento Espírita

Monday, July 21, 2008

CRENÇA E CONHECIMENTO

Crença e Conhecimento
Não é raro se ouvir afirmativas como "eu creio que vai chover", "creio que vai fazer muito frio este ano, creio que vou para o céu ou para o inferno", etc. Sem dúvida essas são opiniões que não têm nenhum compromisso com a verdade. São meras crenças. E a crença é cega. No entanto, uma pessoa que conhece meteorologia e tem equipamentos para sondar o clima, poderá afirmar se irá chover ou fazer calor nos próximos dias. Certamente as pessoas que têm conhecimento são as mais indicadas para opinar sobre os assuntos que dominam. Não poderia ser diferente quanto às questões relativas às crenças religiosas. Nesse particular é sempre importante buscar o conhecimento com os sábios que realmente sabem sobre as leis que regem o universo. Acreditar nesta ou naquela fórmula, neste ou naquele movimento, numa receita qualquer de felicidade, não é próprio de pessoas que desejam saber o porquê e o significado das coisas. Aproveitando-se das pessoas que aceitam tudo sem exame, sem uma análise profunda das propostas apresentadas, sempre houve e sempre haverá os pregadores de ilusões. E eles não precisam de muito esforço, não. Basta prometer a felicidade póstuma e receitar uma fórmula simples e fácil, que conseguem inúmeros seguidores fiéis. Mas, se diante das prescrições perguntássemos se isso realmente nos ajudará e de que maneira; qual será nosso crescimento efetivo, esse tipo de proposta desapareceria. Temos de convir que, se os cultos exteriores, as promessas fáceis, as palavras decoradas ditas sem emoção, trouxessem felicidade, não haveria nenhum infeliz no mundo. Comece perguntando a si mesmo se determinada prática lhe fará efetivamente mais feliz, lhe trará mais conhecimento das coisas, mais grandeza d`alma. Se uma barganha, uma troca de favores, é interessante para ambas as partes ou somente para uma delas. Pergunte-se o que faria com o objeto que costuma oferecer em troca de um favor dos céus, caso o recebesse de alguém. Que utilidade teria para você o objeto ou a atitude que oferece como pagamento de um favor. Se o objeto for oferecido a Deus, que é o supremo senhor do universo, o que Deus faria com a sua oferta? "Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus". O que Deus faria com as coisas de César? O que ele faria com as quinquilharias que nem para nós, criaturas imperfeitas, teriam utilidade? Busque, assim, o conhecimento das leis morais que regem o universo. Se você é cristão, encontrará nos ensinos de Jesus informações importantes que lhe ajudarão a abrir os olhos do intelecto e apreciar o mundo de uma forma mais ampla e lúcida. "A cada um segundo suas obras", afirmou Jesus. Ele é um espírito que possui autoridade intelecto-moral para nos orientar sobre as verdades da vida, pois já trilhou o caminho que hoje estamos percorrendo. Ao dizer: "Antes que Abraão fosse, eu sou", ele se referia a sua maturidade espiritual, que foi conquistada antes dos primeiros homens habitarem o planeta. Jesus prescreveu o amor a Deus acima de tudo, e ao próximo como a si mesmo. Eis um guia seguro, que nos conduzirá à felicidade eterna. E amar a Deus é conhecer suas leis e vivê-las. As leis naturais e as leis morais. Mesmo antes de Jesus vamos encontrar sábios que também ensinaram grandes verdades, como Sócrates, Platão, Aristóteles, entre outros. Em vez da crença cega, que certamente nos levará a grandes decepções e desilusões, optemos pelo conhecimento das coisas. Somente o conhecimento da verdade nos fará livres. Livres de tantas esquisitices e fórmulas sem sentido que só nos retardam o acesso à felicidade que desejamos tanto. Pense em todas essas considerações, e opte por uma das alternativas: crença cega, ou conhecimento lúcido e fé inabalável.
Equipe de Redação do Momento Espírita
Som de Fundo:"Keeper of the Stars"

O TRABALHO É A LEI DA VIDA

O Trabalho é Lei da Vida
O trabalho é lei da vida. Em a natureza tudo trabalha... Trabalham os vermes na intimidade da terra, tornando-a fofa e produzindo o humus nutriente para alimentar as plantas. Trabalham os pássaros, na construção dos próprios ninhos e na disseminação do pólem das flores. Trabalham as flores, doando seu perfume ao ar e permitindo o nascimento dos frutos. Trabalham os insetos, polinizando as flores e desempenhando a parte que lhes cabe na estrutura do ecossistema. Trabalham também os rios, fertilizando o solo e dessedentando homens e animais. Trabalham as nuvens, fornecendo a chuva que rega as plantas e purifica a atmosfera. Trabalham as árvores, abrindo seus galhos quais braços fraternos, acolhendo os ninhos e fazendo sombra na caminhada dos homens. Trabalha igualmente o Sol, estrela incansável que jamais deixa de estender seus raios quentes, espancando as trevas e favorecendo a vida. Trabalha a Lua, controlando as marés e deslumbrando os olhares apaixonados dos namorados, que sonham um dia poder oferecê-la a alguém em nome do amor. Trabalham os oceanos, abrigando na intimidade várias formas de vida e transportando, em suas ondas, as embarcações, permitindo a ligação entre os Continentes. Trabalha também o vento, acariciando com igual doçura os carvalhos gigantes e as pequeninas hastes da relva. Tudo em a natureza trabalha... E trabalham também os homens... Quem aceitaria, de boa vontade, ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono? Mas todo trabalho é vazio, exceto quando há amor... É pelo trabalho que nos unimos a nós mesmos, unindo-nos uns aos outros e a Deus. E o que é trabalhar com amor? É tecer o tecido com fios desfiados do nosso próprio coração, como se nosso bem-amado fosse usar esse tecido. É construir uma casa com afeição, como se nosso bem-amado fosse habitar essa casa. É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se nosso bem-amado fosse comer os frutos. É por em todas as coisas que fazemos um sopro da nossa alma... Quando trabalhamos com amor, somos como uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em suave melodia, espalhando notas de alegria no ar, contagiando tudo o que nos rodeiam. A câmara fotográfica nos revela por fora, mas o trabalho nos retrata por dentro. Em tudo aquilo que façamos, na atividade que o Senhor nos haja oferecido, estamos colocando nosso retrato, nossa marca registrada. E quando o trabalhador converte o trabalho em alegria, o trabalho se transforma na alegria do trabalhador.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em texto do livro O Profeta, de Gibran Kalil Gibran, cap. "O trabalho" e texto do livro Sinal Verde, caps. 17 e 18.

Sunday, July 20, 2008

O VALOR DA AMIZADE

O Valor da Amizade
Você já parou para pensar sobre o valor da amizade? Às vezes nos encontramos preocupados, ansiosos,em volta há situações complicadas, nos sentindo meio que perdidos, mas somente o fato de conversarmos com um amigo, desabafando o que nos está no íntimo, já nos sentimos melhor, mesmo que as coisas permaneçam inalteradas. Quantas vezes são os amigos que nos fazem sorrir quando tínhamos vontade de chorar, mas a sua simples presença traz de volta o sol a brilhar em nossa vida. A simplicidade das brincadeiras pueris, da conversa informal,momentos de descontração que muitas vezes pode ser numa conversa rápida ao telefone, no vai e vem do dia ou da noite,no ambiente de trabalho ou de escola, enfim, em qualquer lugar a qualquer hora. Entretanto, não existe só alegria, amor, felicidade nesta relação que como em qualquer outro relacionamento,passa por crises passageiras, por momentos intempestivos, abalos ocasionais.Ainda que tenhamos muito carinho pelo amigo em questão,às vezes por insegurança, por ciúme, por estarmos emocionalmente alterados ou nos sentindo pressionados, acabamos sendo injustos com ele e isso pode ser recíproco.Podemos comparar esse elo de amizade ao tempo que passa por alterações climáticas constantemente, mas é dessa forma que aprendemos a nos conhecer, compartilhar momentos, que se desenvolve uma amizade.Diante do amigo somos nós mesmos, deixamos vir à tona nossos pensamentos a respeito das coisas, da vida, nos mostramos como verdadeiramente somos.Há amigos que nos ensinam muito, nos fazem enxergar situações que às vezes não percebemos o seu real sentido, compartilham a sua experiência conosco, nos falam usando da verdade que buscamos encontrar.São eles também que nos chamam a razão, chamando a nossa atenção quando agimos de modo contraditório, que nos dizem coisas que não queremos ouvir, aceitar, compreender.Ao longo de nossa vida muitos amigos passam por ela e nos deixam saudade, mas também deixam a recordação de tudo que foi vivido.É na amizade verdadeira que encontramos sinceridade, lealdade, afinidade, cumplicidade, simplicidade, fraternidade.Amigos são irmãos que a vida nos deu para caminhar conosco ao longo da nossa jornada espiritual, extrapolando os limites do tempo, continuando quando e onde Deus assim o permitir.
Sandra Quevedo Demarchi

Friday, July 18, 2008

DENTRO DE VOCÊ

DENTRO DE VOCÊ
E se eu disser que dentro de você mora um anjo que se reveste de luz para fazer novos amigos?E se eu disser que dentro de você existe uma paz infinita que o torna tão amigo e querido?E se eu disser que dentro de você existe luz e que essa luz apaga a inveja, a discórdia e a guerra?E se eu disser que dentro de você existe um cupido que espalha amor e que flecha meu coração?E se eu disser que vocêé iluminado pelas estrelas e seus olhos parecem reflexo dessa luz?E se eu disser que você é divinamente concebidoe tem dentro de si tudo o que precisa para viver?E se eu disser que dentro de você existe uma fera que sabe lutar e defender os seus?E se eu disser que dentro de você habita uma chama que é capaz de incendiar uma cidade? E se eu disser que dentro de você mora um inventorcapaz de criar mil maneiras de fazer a mesma coisa? E se eu disser que dentro de você existe um construtor que é capazde criar novos caminhos?E se eu disser que dentro de você existe um elo de corrente que o liga ao sobrenatural tão facilmente? E se eu disser que você é um deus, e que possui a chave da vida eterna... Da alegria que não acaba, dos sonhos que se realizam, da saúde que se perpetua, dos amigos que nunca o esquecem! Da saudade gostosa, do desejo que realiza, do prazer da vida? Você é a própria luz. Acredite nisso e brilhe, por amor a você e a quem o criou. Construa, viva, conquiste, não aceite as derrotas, os "nãos”! O impossível é apenas uma força te convidando para realizar.Acredite. Dentro de você existe um universo em permanente construção.
Paulo Roberto Gaefke

Thursday, July 17, 2008

OUVINDO CORAÇÕES

Ouvindo Corações
Grande sabedoria é saber olhar a vida com olhos de ver. Enxergar as coisas de maneira diversa da habitual. Ir além das aparências. Nós não somos apenas ossos, músculos, tendões, unhas, cabelos, sangue. Somos tudo isso e mais a essência, o espírito. É essa essência que nos faz ficar doentes ou recuperar a saúde de uma doença sem bons prognósticos. Assim, não se pode imaginar medicina sem os remédios, bisturis, equipamentos, poções. Mas, a essência não pode ser esquecida. Dr. Josh era um talentoso cirurgião oncológico. Depois de alguns anos, começara a ter problemas. Mal conseguia se levantar da cama todas as manhãs porque sabia que iria ouvir as mesmas queixas, dia após dia. De tanto ouvir falar de dores e assistir ao sofrimento, deixara de se importar. Para que tudo aquilo, afinal? Muitos pacientes ele nem conseguia que se recuperassem. Então, uma amiga lhe observou que ele precisava ter novos olhos. O importante não era mudar de hospital, de atividade. Era ele olhar o mesmo cenário, de forma diferente. E lhe sugeriu que, a cada dia, durante 15 minutos, ele rememorasse os acontecimentos e respondesse a si mesmo: "o que me surpreendeu hoje? O que me perturbou ou me emocionou hoje? O que me inspirou hoje?" Ele ficou em dúvida, mas tentou. Três dias depois, a única resposta que conseguia dar para as três questões era nada, nada, nada. A amiga lhe sugeriu que ele olhasse as pessoas ao seu redor como se fosse um escritor, um jornalista, ou quem sabe, um poeta. Procurasse histórias. Seis semanas depois, Josh encontrou-se com ela outra vez e lhe falou das suas experiências. Estava mudado. Sereno. Nos primeiros dias, a única coisa que o surpreendera tinha sido o tumor de algum paciente que diminuía ou regredira poucos centímetros. O mais inspirador, uma droga nova, ainda em experiência, a ser ministrada aos pacientes. Certo dia, observando uma mulher de apenas 38 anos, que ele havia operado de um câncer no ovário, tudo mudou. Ela estava muito debilitada pela quimioterapia. Sentada em uma cadeira, tinha ao seu lado as filhas de quatro e seis anos. As duas meninas estavam bem arrumadas, felizes e amadas. "Como ela fazia aquilo?" Aproximou-se e lhe disse que a achava uma mulher maravilhosa, uma mãe fora do comum. Mesmo depois de tudo o que havia passado, ele observava que havia dentro dela algo muito forte. Uma força que a estava curando. A partir daí, ele começou a perguntar aos pacientes o que lhes dava forças na sua luta contra a doença. As respostas eram muito diversas. O importante é que ele descobriu que tinha interesse em ouvir. Se antes já era um excelente cirurgião, deu-se conta de que agora, e somente agora, as pessoas vinham lhe agradecer pela cirurgia. Algumas até lhe davam presentes. Mudou o seu relacionamento com os doentes. Contando tudo isso para a amiga, ele retirou do bolso um estetoscópio com seu nome gravado e o mostrou, comovido. Presente de um paciente. Quando a amiga lhe perguntou o que é que iria fazer com aquilo, ele sorriu e respondeu: "Ouvir os corações, Rachel. Ouvir os corações." Todas as vidas têm um significado. Encontrar o sentido das coisas nem sempre é fazer algo diferente. Por vezes, é somente enxergar o cotidiano, a rotina de uma forma diferente. A vida pode ser vista de várias maneiras: com os olhos, com a mente, com a intuição. Mas a vida só é verdadeiramente conhecida por aqueles que falam e ouvem a linguagem do coração.
Equipe de Redação do Momento Espírita, com base no cap. "Encontrando Novos Olhos", do livro As Bênçãos do Meu Avô, de Rachel Naomi Remen, ed. Sextante e da crônica "Colcha de Retalhos", de Luiz Carlos Prates, publicada no Diário Catarinense em 15/09/2003.
Som de Fundo:"Strani Amore"

O Trabalho é o Amor Feito Visível

O Trabalho é o Amor Feito Visível
A necessidade do trabalho é lei da natureza, por isso constitui uma necessidade. A civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos. Mas por trabalho não se devem entender somente as ocupações materiais. Toda ocupação útil é trabalho. Sem o trabalho o homem não se aperfeiçoaria e permaneceria sempre na infância, quanto à inteligência. Por isso é que seu alimento, sua segurança e seu bem-estar dependem do seu trabalho e da sua atividade. Como a história da humanidade registra que por muito tempo o trabalho foi tido como castigo, existem pessoas que se aborrecem por terem que trabalhar. Importante, assim, lembrar que é o trabalho que nos dá oportunidade de crescimento. Todos os progressos que a humanidade alcançou até hoje, são frutos do trabalho. E é sobre o trabalho que Khalil Gibran escreveu o seguinte: Quando trabalhais, sois uma flauta através da qual o murmúrio das horas se transforma em melodia. Quem de vós aceitaria ser um caniço mudo e surdo quando tudo o mais canta em uníssono? Sempre vos disseram que o trabalho é uma maldição, e o labor, uma desgraça. Mas eu vos digo que, quando trabalhais, realizais parte do sonho mais longínquo da terra, desempenhando assim uma missão que vos foi designada quando esse sonho nasceu. E, apegando-vos ao trabalho, estareis na verdade amando a vida. Disseram-vos que a vida é escuridão; e no vosso cansaço, repetis o que os cansados vos disseram. E eu vos digo que a vida é realmente escuridão, exceto quando há um impulso. E todo impulso é cego, exceto quando há saber. E todo saber é vão, exceto quando há trabalho. E todo trabalho é vazio, exceto quando há amor. E quando trabalhais com amor, vós vos unis a vós próprios e uns aos outros, e a Deus. E que é trabalhar com amor? É tecer o tecido com fios desfiados de vosso próprio coração, como se vosso bem-amado fosse usar esse tecido. É construir uma casa com afeição, como se vosso bem-amado fosse habitar essa casa. É semear as sementes com ternura e recolher a colheita com alegria, como se vosso bem-amado fosse comer-lhe os frutos. É pôr em todas as coisas que fazeis um sopro de vossa alma. O trabalho é o amor feito visível. E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria que abandonásseis o vosso trabalho e vos sentásseis à porta do templo a solicitar esmolas daqueles que trabalham com alegria. Pois se cozerdes o pão com indiferença, cozereis um pão amargo, que satisfaz somente a metade da fome do homem. E se espremerdes a uva de má vontade, vossa má vontade destilará no vinho o seu veneno. E ainda que canteis como os anjos, se não tiverdes amor ao canto, tapais os ouvidos do homem às vozes do dia e às vozes da noite. Sem dúvida o poeta tem razão. O trabalho feito com amor provê não só as necessidades do corpo, mas também as da nossa alma.
Autor:Equipe de Redação do Momento Espírita, com base em O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, itens 674 a 676, e no cap. O trabalho, do livro O Profeta, de Gibran Khalil Gibran.
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EN FÜR ELISE RICHARD CLAYDERMAN INTERPRETA BEETHOVEN

Tuesday, July 15, 2008

Ludwig van Beethoven __ Músico Alemão __ NONA SINFONIA DE BEETHOVEN __ " Escutar atrás de si o ressoar dos passos de um gigante " Brahms

Músico alemão
Ludwig van Beethoven
16/12/1770 - Bonn, Alemanha26/03/1827 - Viena, Áustria
O Compositor Beethoven
"Escutar atrás de si o ressoar dos passos de um gigante". Esta foi a definição que o compositor Brahms deu à Nona Sinfonia de Beethoven.Beethoven era alemão, mas seu nome de família mostra a ascendência holandesa. A palavra "bettenhoven" significa canteiro de rabanetes e é o nome de uma aldeia na Holanda. A partícula "van" também é bastante comum aos nomes holandeses. O avô do compositor era da Bélgica e a família Beethoven estava há poucas décadas na Alemanha na época do nascimento de Ludwig.O avô Beethoven trabalhava como diretor de música da corte de Colônia e era um artista respeitado. Seu filho, Johann, pai de Ludwig, o seguiu na carreira, mas sem o mesmo êxito. Johann percebeu que o pequeno Ludwig tinha talento e tratou de obrigar o filho a estudar muitas horas por dia.Ludwig deixou a escola com apenas 11 anos e aos 13, já ajudava no sustento da casa, trabalhando como organista, cravista, músico de orquestra e professor. Era um adolescente introspectivo, tímido e melancólico, freqüentemente imerso em devaneios.Em 1784, Beethoven tornou-se amigo do jovem conde Waldstein, que notou o talento do compositor e o enviou para Viena, na Áustria, para que se tornasse aluno de Mozart. Em duas semanas, Beethoven voltou para Bonn, supostamente porque Mozart não lhe deu a atenção esperada.Começou então a fazer cursos de literatura, como uma forma de compensar sua falta de estudo. Teve contato com as fervilhantes idéias da Revolução Francesa e a literatura pré-romântica alemã de Goethe e Schiller. Esses ideais se tornariam fundamentais na arte de Beethoven.Em 1792, Beethoven partiu definitivamente para Viena, novamente por intermédio do conde Waldstein. Dessa vez, Ludwig havia sido aceito como aluno de Haydn - a quem chamaria de "papai Haydn". Beethoven também teve aulas com outros professores.Seus primeiros anos vienenses foram tranqüilos, com a publicação de seu Opus 1, uma coleção de três trios, e a convivência com a sociedade aristocrática vienense, que lhe fora facilitada pela recomendação do conde. Era um pianista de sucesso e soube cultivar admiradores.Surgiram então os primeiros sintomas da surdez. Em 1796, na volta de uma turnê, começou a queixar-se, e teve o diagnóstico uma congestão dos centros auditivos. Tratou-se com médicos e melhorou sua higiene, a fim de recuperar a boa audição. Escondeu o problema de todos.Em 1802, por recomendação médica, foi descansar na aldeia de Heilingenstadt, perto de Viena. Em crise, escreveu o que seria o seu documento mais famoso: o "Testamento de Heilingenstadt". Trata-se de uma carta, originalmente destinada aos dois irmãos, que nunca foi enviada, onde ele reflete, desesperado, sobre sua arte e a tragédia da surdez.O suicídio era um pensamento recorrente. O que o fez mudar de idéia foi encarar a música como missão: "Foi a arte, e apenas ela, que me reteve. Ah, parecia-me impossível deixar o mundo antes de ter dado tudo o que ainda germinava em mim." Só em 1806, Beethoven revelou o problema, em uma frase anotada nos esboços do Quarteto no. 9: "Não guardes mais o segredo de tua surdez, nem mesmo em tua arte!".Beethoven nunca se casou e sua vida amorosa foi uma sucessão de insucessos e de sentimentos não-correspondidos. Apenas viu realizado um amor correspondido. A revelação está na "Carta à Bem-Amada Imortal", escrita em 1812. A identidade dessa mulher nunca ficou clara e suscitou muitas especulações. Um de seus biógrafos concluiu que ela seria Antonie von Birckenstock, casada com um banqueiro de Frankfurt. Em 1815, o irmão de Ludwig, Karl, morreu deixando um filho de oito anos para ele e a mãe da criança cuidarem. Beethoven lutou na justiça para ser seu único tutor e ganhou a causa.Beethoven passou os anos seguintes em depressão, mas, ao sair dela em 1819, deu inicio a um período de criação de obras-primas: as últimas sonatas para piano, as "Variações Diabelli", a "Missa Solene", a Nona Sinfonia e, principalmente, os últimos quartetos de cordas.Foi em plena atividade, cheio de planos para o futuro (uma décima sinfonia, um réquiem, outra ópera), que ficou gravemente doente - pneumonia, além de cirrose e infecção intestinal. Morreu no dia 26 de março de 1827.Beethoven é reconhecido como o grande elemento de transição entre o Classicismo e o Romantismo. Estudiosos costumam dividir a obra beethoveniana em três fases. A primeira incluiria as obras escritas entre 1792 e 1800. A segunda fase corresponderia ao período de 1800 a 1814, marcado pela surdez e pelas decepções amorosas. São características dessa fase obras como a sinfonia "Eroica", a "Sonata ao Luar" e os dois últimos concertos para piano. A última fase, de 1814 a 1827, ano de sua morte, seria o período das obras monumentais: a Nona Sinfonia, a "Missa Solene", os últimos quartetos de cordas.A obra de Beetoven inclui uma ópera ("Fidelio"), música para teatro e balé, missas; sonatas; cinco concertos para piano, um para violino e um tríplice, para violino, violoncelo e piano; música de câmara (os quartetos de cordas) e nove sinfonias. A Sinfonia no. 3, "Eroica", foi planejada para ser uma grande homenagem a Napoleão Bonaparte. A Nona, talvez a obra mais popular de Beethoven, marcou época. Sua grande atração é o final coral, com texto de Schiller, a "Ode à Alegria".

O MAIOR DESAFIO

"Existem três tipos de pessoas: as que deixam acontecer, as que fazem acontecer e as que perguntam o que aconteceu."John Richardson Jr
O Maior Desafio
Cada um de nós tem desafios diferentes. A vida é feita de desafios diários. Para quem não dispõe de movimentos nas pernas, transportar-se da cama para a cadeira de rodas, a cada manhã, é um desafio. Para quem sofreu um acidente e está re-aprendendo a andar, o desafio está em apoiar-se nas barras, na sala de reabilitação, e tentar mover um pé, depois o outro. Para quem perdeu a visão, o grande desafio é adaptar-se à nova realidade, aprendendo a ouvir, a tatear, a movimentar-se entre os obstáculos sem esbarrar. É aprender um novo alfabeto, é ler com os dedos, é adquirir nova independência de movimentos e ação. Para o analfabeto adulto, o maior desafio é dominar aqueles sinais que significam letras, que colocados uns ao lado dos outros formam palavras, que formam frases. É conseguir tomar o lápis e escrever o próprio nome, em letras de forma. É conseguir ler o letreiro do ônibus, identificando aquele que deverá utilizar para chegar ao seu lar. Cada qual, dentro de sua realidade, de sua vivência, apontará o que lhe constitui o maior desafio: dominar a técnica da pintura, da escultura, da música, da dança. Ser um ás no esporte. Ser o primeiro da classe. Passar no vestibular. Ser aprovado no concurso que lhe garantirá um emprego. Ser aceito pela sociedade. Ser amado. Para vencer um desafio é preciso ter disciplina, ser persistente, ser diplomático, saber perdoar-se e perdoar aos outros. É ser otimista quando os demais estão pessimistas. Ser realista quando os demais estão com os pensamentos na lua. É saber sonhar e ir em frente. É persistir, mesmo quando ninguém consiga nos imaginar como um prêmio Nobel de Química, um pai de família, um professor, prefeito ou programador. Acima de tudo, o maior desafio para deficientes, negros e brancos, japoneses e americanos, brasileiros e argentinos, para todo ser humano, é fazer. Fazer o que promete. Dar o primeiro passo, o segundo e o terceiro. Ir em frente. Com que freqüência se escutam pessoas dizendo que vão fazer regime, que vão estudar mais, que vão fazer exercício todo dia, que vão ler mais, que vão assistir menos televisão, que vão... Falar, reclamar ou criticar são os passatempos mais populares do mundo, perdendo só, talvez, para o passatempo de culpar os outros pelo que lhe acontece. Então, o maior desafio é fazer. E não adianta você dizer que não deu certo o que pretendia porque é cego, ou porque é negro, ou porque é amarelo, ou porque você é brasileiro. Ou porque mora numa casa amarela. Ou porque não teve tempo. Aprenda com seus erros. Quando algo não der certo, você pode tentar de maneira diferente. Agora você já sabe que daquele jeito não dá. Você pode treinar mais. Você pode conseguir ajuda, pode estudar mais, pode se inspirar com sábios amigos. Ou com amigos dos seus amigos. Pode tentar novas idéias. Pode dividir seu objetivo em várias etapas e tentar uma de cada vez, em vez de tentar tudo de uma vez só. Você pode fazer o que quiser. Só não pode é sentir pena de si mesmo. Você não pode desistir de seus sonhos. Problemas são desafios. Dificuldades são testes de promoção espiritual. Insucesso é ocorrência perfeitamente natural, que acontece a toda e qualquer criatura. Indispensável manter o bom ânimo em qualquer lugar e posição. O pior que pode acontecer a alguém é se entregar ao desânimo, apagando a chama íntima da fé e caminhar em plena escuridão. Assim, confia em Deus, e, com coragem, prossegue de espírito tranqüilo.
Equipe de Redação do Momento Espírita, a partir de carta assinada por Fernando Botelho e endereçada a um cego, de nome Juliano, residente em Curitiba, e do cap. 9 da obra Convites da Vida, psicografia de Divaldo Pereira Franco, pelo Espírito Joanna de Âgelis.

Monday, July 14, 2008

A PALAVRA SINCERA

Você sabia que a palavra "sincera" foi inventada pelos romanos? Eles fabricavam certos vasos com uma cera especial tão pura e perfeita que os vasos se tornavam transparentes. Em alguns casos era possível distinguir os objetos guardados no interior do vaso. Para um vaso assim, fino e límpido, diziam os romanos: Como é lindo! Parece até que não tem cera! "Sine cera" queria dizer "sem cera", uma qualidade de vaso perfeito, finíssimo, delicado, que deixava ver através de suas paredes. Com o tempo, o vocábulo "sine cera" se transformou em sincero e passou a ter um significado relativo ao caráter humano. Sincero é aquele que é franco, leal, verdadeiro, que não oculta, que não usa disfarces, malícias ou dissimulações. A pessoa sincera, à semelhança do vaso, deixa ver através de suas palavras os nobres sentimentos de seu coração. Assim, procuremos a virtude da sinceridade em nossos corações. Sim, pois na forma de potencialidade ela está lá, aguardando o momento em que iremos despertá-la, e cultivá-la em nossos dias. Se buscamos a riqueza do espírito, esculpindo seus valores ao longo do tempo, devemos lembrar da sinceridade, deste revestimento que nos torna mais límpidos, mais delicados. Por que razão ocultar a verdade, se é a verdade que nos liberta da ignorância? Por que razão usar disfarces, se cedo ou tarde eles caem e seremos obrigados a enfrentar as conseqüências funestas da mentira? Por que razão dissimular, se não desejamos jamais ouvir a dissimulação na voz das pessoas que nos cercam? Quem luta para ser sincero conquista a confiança de todos, e por conseqüência seu respeito, seu amor. Quem é sincero jamais enfrentará a vergonha de ser descoberto em falsidades. Quem luta pela sinceridade é defensor da verdade do Cristo, a verdade que liberta. Sejamos sinceros, lembrando sempre que esta virtude é delicada, é respeitosa, jamais nos permitindo atirar a verdade nos rostos alheios como uma rocha cortante. Sejamos sinceros como educadores de nossos filhos. Primemos pela honestidade ensinando-lhes valores morais, desde cedo, principalmente através de nossos exemplos. Sejamos sinceros e conquistemos as almas que nos cercam. Sejamos o vaso finíssimo que permite, a quem o observa, perceber seu rico conteúdo. Sejamos sinceros, defensores da verdade acima de tudo, e carreguemos conosco não o fardo dos segredos, das malícias, das dissimulações, mas as asas da verdade que nos levarão a vôos cada vez mais altos. Por fim, lembremo-nos do vaso transparente de Roma, e procuremos tornar assim o nosso coração.
Equipe de Redação do Momento Espírita, a partir do texto "A palavra sincera", atribuído a Malba Tahan.

Sunday, July 13, 2008

FREUD ALÉM DA ALMA __ FILME QUE MERECE DESTAQUE


"O progresso é como andar, consegue-se perdendo e ganhando equilíbrio. É uma série de erros... De erro em erro acaba-se descobrindo a verdade"Freud
"Não escrevo apenas com a mão: o pé também quer sempre participar" . Nietzsche
"Nunca confie numa idéia que não tenha surgido de uma caminhada", Nietzsche
FREUD ALÉM DA ALMA
Freud, Sigmund, Psicanálise
Resumo:
O filme "Freud Além da Alma", retrata os momentos difíceis que Freud viveu no início de sua carreira frustrada de médico. É mostrado ao público, interessado na obra do grande mestre, as descobertas de Freud com as próprias experiências pessoais do psicanalista e a teoria que desenvolveu sobre o Complexo de Édipo, fundamentando-se na relação com seu pai morto.
Junto com Copérnico e Charles Darwin, Freud revolucionou a maneira do ser humano ver a si mesmo dentro do infinito Universo. Ao afirmar que as ações e os desejos humanos não são frutos da vontade e da vaidade humana, mas sim do nosso Inconsciente, Sigmund Freud abalou o mundo científico e criou uma nova maneira de entender a psiquê humana. Em Freud - Além da Alma, John Huston pretende mostrar como as teorias freudianas esboçam a própria vida de um dos maiores gênios da Humanidade.
Ansioso em obter respostas plausíveis para aplacar o sofrimento de seus pacientes, Freud enveredou-se à doutrina de Charcot e utilizou-se da hipnose em seus estudos sobre histeria. Embora seus estudos encontrassem a resistência da ala conservadora da Medicina, que viam nas teorias de Freud uma ameaça à primazia do ser humano, Freud prosseguiu em sua linha de pensamento e descobriu que o ser humano é dividido entre o Consciente e o Inconsciente, lançando as bases da Psicanálise.
Huston, baseado no roteiro escrito pelo filósofo Jean-Paul Sartre (que não consta nos créditos do filme), evitou o risco de fazer uma caricatura de Freud e não abordou a sua vida pessoal, restringindo-se aos seus estudos psicanalíticos. Opção acertada do diretor, pois sua produção não cai na mesmice de filmes meramente biográficos, que baseiam-se em informações fragmentadas sobre a intimidade de um personagem histórico e acabam criando indiscriminadamente um mito. É interessante observar como Huston conseguiu articular as descobertas de Freud com as próprias experiências pessoais do psicanalista, como a teoria que desenvolveu sobre o Complexo de Édipo, fundamentando-se na relação com seu pai morto. Com uma linguagem metafórica e onírica, Huston mostra o conflito interior que viveu Freud enquanto tentava penetrar no obscuro Inconsciente de seus pacientes, pois temia encontrar o inefável, o impensável. Na verdade, Freud temia encontrar a sua própria essência.
Freud - Além da Alma é um filme acadêmico, inteligente e instigante, que nos permite uma melhor compreensão das teorias freudianas sobre o funcionamento do Inconsciente humano e como o pensamento psicanalítico irrompeu na sociedade vienense e depois no mundo. Um filme tão genial quanto o legado de Sigmund Freud.
Freud Além da Alma
Freud, além da alma (Freud), dirigido por John Huston em 1962, é exibido pela disciplina de Psicologia Médica I, da Faculdade de Ciências Médicas de Santos anualmente. O filme cobre o período da vida do "pai da psicanálise" desde que ele se graduou no curso de Medicina na Universidade de Viena até a formulação da sexualidade infantil.
O roteiro original do filme foi elaborado por ninguém menos que o filósofo existencialista, Jean-Paul Sartre. Coube a Charles Kaufman e Wolfgang Reinhardt adicionar um certo sabor hollywoodiano ao roteiro. O galã Montgomery Clift, o rei das sessões da tarde dos cinemas da década de 50, foi escolhido para ocupar o papel de Sigmund Freud. Um ator extraordinário que teve sua vida encurtada (faleceu aos 45 anos) devido à dependência de álcool e de drogas, que soube personificar um cientista cujo maior objetivo na vida era a busca da verdade.
Desde a sua infância Freud pensava que "o progresso é como andar, consegue-se perdendo e ganhando equilíbrio. É uma série de erros... De erro em erro acaba-se descobrindo a verdade", como é lembrado por sua esposa Martha (Susan Kohner) quando ele tencionava mudar de cidade em função da resistência às suas teoria no meio científico vienense.
Uma das grandes virtudes do filme foi a de inter-relacionar a vida pessoal de Freud com as suas descobertas. O conceito de complexo de Édipo foi extraído da obra "Édipo rei", de Sófocles, que ele Freud conhecia desde a sua infância. Sim, isso é verdadeiro. Porém, não fosse o amor que ele nutriu pela mãe, e o desejo de matar o seu pai para poder usufruir com exclusividade do carinho materno, baseou-se fundamentalmente na sua própria infância.
A viagem de Freud a Paris, onde foi estudar durante algumas semanas na Salpetrière, sob o comando de Jean-Martin Charcot (Fernand Ledoux), que era o maior estudioso da histeria à época, foi determinante para a descoberta da psicanálise. Charcot demonstrou que a histeria não era fruto de bruxaria, mas sim que era de origem psíquica. Ao regressar a Viena, Freud uniu-se ao clínico geral Breuer, também um apreciador da hipnose e compartilharam pacientes e teorias. Quando Breuer (Larry Parks) pede a ajuda de Freud no tratamento da paciente Cecily (Susannah York), uma histérica que melhorava temporariamente quando era hipnotizada, mal sabia o clínico vienense que ele estaria auxiliando o seu colega a descobrir um dos conceitos mais importantes da psicanálise, a associação livre de idéias.
Freud se apercebeu que para se alcançar o inconsciente não era mais obrigatório que o paciente fosse hipnotizado. Mais tarde, Freud elaborou a teoria das neuroses, cuja origem está na sexualidade infantil. Breuer discorda dessa concepção teórica e deixa os estudos sobre a histeria de lado. Como o pai da psicanálise dizia: "chega uma hora que se deve renunciar a todos os pais e ficar de pé sozinho".
O fato de não ter medo de romper com o passado, não ter medo de opiniões divergentes da sua, bem como seu alto grau de obstinação, foram fundamentais para que Freud iluminasse o inconsciente e o seu funcionamento. As imagens em preto e branco acentuam o clima sombrio que John Huston quis dar à narrativa.
Por sinal, os melhores filmes do diretor, entre eles, "O segredo das jóias", "Paixões em fúria" e "O tesouro de Sierra Madre" foram rodados em clima "noir", em preto e branco. "Freud, além da alma" está longe de ser uma obra-prima, talvez até por ser didático demais.
No entanto, cumpre de forma satisfatória com a sua função de mostrar parte da vida de Freud para o grande público. E de bônus nós temos a chance de ver esse que se vivesse mais tempo seria um dos maiores atores da história do cinema, Montgomery Clift.
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